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Recados

Sejam bem vindos ao blog, por favor sintam-se a vontade para expor suas opiniões e críticas.

A idéia surgiu a partir do blog de um amigo, o qual cedeu espaço para que várias pessoas colaborassem com seus contos. E ao decorrer do tempo, muitas novas pessoas vieram, e a minha quantidade de contos foram aumentando, com isso surgiu em mim a vontade de postar meus contos em um espaço pessoal.
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Música inspiradora: Shinobi III - Idate

FIAX GRADIUS ESFLAM! Grita Pandion correndo com o rosto enfurecido apontando com uma das mãos e segurando sua espada Trevatum na outra. Em sua palma uma esfera de energia vermelha se forma e explode em uma rajada de fogo, a frente o colossal portão de madeira recebe um impacto violento se despedaçando e permitindo que Pandion e sua tropa avance. A magia usada faz com que sua tropa sinta medo e confiança em seu líder, pois jamais houve quem usasse as Arcanas de forma tão explícita e espontânea. Sem abalar o trote Pandion continua a liderança percorrendo os amplos salões de mármore da Fortaleza do Esplendor. Seu objetivo é nada menos do que a destruição do tesouro do Rei Solidus, por ordem do Imperador Braum. Com isto em mente o honrado cavaleiro da Tríade lidera vorazmente sua tropa em prol de mais uma missão. Seu instinto está usando todos os sentidos e o poder de sua mente para encontrar algo que o leve até o tesouro. Eis que ao longe Pandion escuta o marchar acelerado das tropas de defesa. Parando repentinamente, assim também fazem todos que o seguem, Pandion volta-se para seus soldados e lhes impõe "Os inimigos estão a frente e se aproximam, lutarei junto a voz, não me desonrem, quero cada esforço, suor, dor e fúria voltados para quem nos afronta. Daqui haveremos de sair vencedores, e o único inimigo somos nós mesmos, o medo, e aqueles que derem vazão ao mesmo considerem-se mortos, se não pelas mãos inimigas, certamente pelas minhas. Lembrem-se, quando se luta pela vida todo o espaço do medo deve ser tomado pela honra. AVANTE HOMENS!"

Tomados pela determinação eles lutam como nunca, em meio a grande confusão o lendário guerreiro de marfim desequilibra o lado da batalha a seu favor, caso não tomasse o partido de avançar continuamente formar-se-ia uma clareira ao seu redor tamanho o temor que vai incitando no inimigo. Porém seus sentidos continuam voltados em direção ao objetivo. Em meio a toda a sanguinolência, explosões, poeira e gritos, Pandion vê ao longe em meio a multidão uma formação que levemente destoa do contexto, cinco guerreiros abrem caminho escoltando uma pessoa encapuzada. FORTIUM CRUENLER, recita Pandion enquanto toca no guerreiro a sua frente fazendo com a vida lhe seja sugada transformando-o em múmia, a qual cai ao chão sem vida. Subitamente a velocidade e força de Pandion aumentam assustadoramente e em um pulo que o faz voar como uma águia passando por cima dos guerreiros, ele empunha a espada como que pronto para trespassar o ser de capuz. Um salto perfeito, certeiro e mortal, eis que a malévola Trevarum se regozija ao ver-se atravessada a um coração.

Decepcionado, Pandion vê o ser de capuz sendo protegido pelos outros quatro cavaleiros enquanto o quinto está morto ao seus pés, este havia dado a vida em troca do ser encapuzado, Pandion logo nota que sua intuição lhe aponta o caminho para o fim da investida. Retirando a espada do peito do bravo guerreiro, Trevarum absorve rapidamente todo o sangue que a estava manchando e que por insólito que seja, as feridas de Pandion vão lenta porém perceptivelmente cicatrizando-se. Com um leve sorriso de deboche Pandion fala "Entreguem-me a garota, e poupo suas vidas". Uma de suas mãos se estende, como quem pede gentilmente a mão de uma dama. Pandion é acima de tudo um cavalheiro com todas aquelas dignas de respeito. Um dos cavaleiros fala "Como descobristes a identidade da Princesa? Cão dos abismos, eu tomarei sua vida aqui e agora!". Pandion despreocupadamente retruca "Hunf! Não subestime meus poderes, posso ver e compreender muito mais do que jamais sonhará. Venha, você e mais cem! Neste momento selaste teu destino! Em guarda!".

Correndo desesperada, chorando e angustiada, a Princesa Meriane lamenta por deixado seus fiéis cavaleiros abandonados a morte, mas proteger o tesouro é a prioridade. A porta que leva a tumba de seus ancestrais esta logo ao fim do corredor, Meriane percorre o último lance de corredores e avista a porta com um grande sol pintado. Eis que a dez passos de distância entre ela a porta surge Pandion, empunhando sua espada mágica e com as vestes ensanguentadas. O pavor é tão grande em Meriane que ela apenas para e fica em silêncio enquanto as lágrimas escorrem. Quebrando o silêncio mortal Pandion profere "Me perdoe princesa, estou indo na frente." - "Estas foram as palavras finais de um deles.". Agora com mais raiva do que medo, ela olha diretamente para os olhos lilás de Pandion, como quem tenta compreender a alma de alguém. Segurando o choro, ela questiona "Por que fazes isto? Por que tentas destruir o que temos de melhor, aquilo que liberta as mentes e emancipa os corações. Não acredito que haja neste mundo um ser que não queira verdadeiramente ser livre. Até hoje não houve artefato mais capaz disto do que este que guardamos. Diga-me, por que tentas acabar com a luz do mundo? Ao menos já tentastes conhecer o que o Imperador teme? ". Um pouco confuso, Pandion move os olhos rapidamente buscando em suas memórias as palavras do Imperador. "Conhecer? Luz do mundo? Não brinque comigo. Meu dever é destruir o seu tesouro para que o equilíbrio seja mantido, e por isso tomarei sua vida assim como tomei a dos seus entes queridos. Não contendo mais seu desespero ela grita "SEU MISERÁVEL, EU O AMALDI...". E antes que ela termine a frase, Pandion já a está abraçando com a espada trespassada no delicado estômago da princesa. "Não preciso de mais uma maldição.". Quando o corpo cai inerte, junto a ele cai e rola pelo chão um pequenino baú ornamentado com metais e pedras preciosas. Dentro dele Pandion encontra uma chave ricamente trabalhada em ouro. Ao tocar a chave e se concentrar, Pandion vê todos os que a tiveram em mão, tão bem como o que foi feito e dito enquanto a empunhavam, logo compreende que o tesouro está na biblioteca, guardado em uma câmara secreta.

Em meio a batalha quase terminada, Pandion caminha apressadamente, usando seu manto, o que indica o fim da batalha, impacientemente ele grita a todos "Estamos saindo, a missão está feita, o tesouro foi destruído, RETIRADA!".

Em meio a todos um soldado observa, e por um breve momento ele pode ver, por debaixo do manto, preso por um cordão, um pesado livro de capa de couro e bordas prateadas. E pensa "Por que o Mestre Pandion está levando algo?".

Enquanto escalava o Monte Jomurgand, Jotun observa uma enorme pedra que rola mortalmente em sua direção. Por um instante o frio desaparece e seu sangue acelera, e tão rápido quanto uma raposa das neves o gigante de cabelos negros tomba para o lado e se afunda na neve, fazendo com que a morte passe de raspão em seu corpo.

Ao sair de sua toca, o guerreiro olha o precipício e apenas escuta o som do vento gélido cortando cada parte pontiaguda da montanha, e do pedregulho se despedaçando aos poucos cada vez que toca a montanha de gelo e neve. Com a intuição aguçada de um bárbaro acostumado ao inferno gelado, ele pressente que algo está errado, mesmo que seus olhos não vejam e seus ouvidos não oucam a ameaça.

Repentinamente um sombra avança e toma lugar sobre a sua. Jotun vira-se rapidamente movido por um instinto felino e vê que algo se aproxima por cima. Mas ao olhar é ofuscado pelo sol, e em um movimento involuntário ele pula para o lado, como que quem escapa de uma manada vindo em sua direção. No lugar aonde a poucos momentos ele estava, agora está um gigante, coberto por pesadas peles dos animais das montanhas, em sua cabeça veste um elmo fechado apenas com os olhos e boca a mostra, com dois chifres, em suas mãos um temível machado de duas lâminas.

O impacto do homem foi tão intenso que no local uma parte da econsta começa a ceder, e ele olhando aterradoramente para Jotun, pisa com força no local do impacto fazendo com que aquela parte desabe. Agora de pé, pode-se ver que Jotun mais parece uma criança se comparado ao tamanho de seu agressor.

Olhando para os lados, Jotun desata seu machado-picareta das costas e profere - O que desejas cão? O que um filho de Wyrm tem com um Yuesir - enquanto contrai os músculos para que esses se aqueçam e fiquem preparados para o combate.

Com um olhar tão frio quanto um cadáver e a voz tão gutural quanto um bisão, o gigante das neves fala. - Sua cabeça, bárbaro das estirpes planas. Hoje você será a oferenda ao poderoso Wyrm, e por sua causa meus irmãos haverão de crescer mais fortes.

Por alguns segundos ambos se entre olham e o vento sussurra a seus ouvidos o cântico da morte, assovios sinistros e medonhos. O local da batalha é pequeno, e qualquer erro será fatal.

A cria de Wyrm toma o machado em duas mãos enquanto avança a passos largos por entre a neve. Jotun segura o sua arma com uma das mãos e pretende um ataque vindo de baixo, o Wyrm ergue o machado como quem pretende partir a montanha em duas. Jotun rapidamente puxa uma faca das costas e arremessa em direção ao rosto do gigante, o qual defende a faca com um dos braços, fazendo com que ela se interre em seu antebraço. Jotun aproveita o momento e desfere um golpe vertical visando o dorso do inimigo, mas antes que a lâmina encontre o destino uma nuvem de neve sobe, provocada por um movimento de perna do tenebroso adversário. Jotun tenta se proteger mas é arremessado longe por um golpe violentíssimo do braço intacto do Wyrm.

Assim que a neve assenta, o gigante procura sua presa e vê que ele está se segurando por um dos braços na beira do precipício. Soltando uma gargalhada, sua voz ecoa incontavelmente, enquanto ele se aproxima para buscar a cabeça do pequeno intruso. Mas assim que ele põe seu rosto a mostra, Jotun usa o machado com a outra mão e crava a parte pontiaguda na canela do bruto, fazendo com que ele instintivamente se mova pra trás em um urro de dor. Jotun aproveita o movimento e sobe para a pequena porção de pedra e neve que é o palco da luta, agora manchado com sangue, dando uma nova coloração a visão estéril.

Com o machado cravado em sua perna, o gigante se abaixa para arrancá-lo, Jotun corre e salta, usando seu corpo como um aríete, fazendo com que o adversário perca o equilíbrio, e agora caído em cima do adversário, o gigante tenta agarra-lo, enquanto Jotun visa retornar seu machado, e tão logo que a mão do adversário agarra a cabeça de Jotun, fazendo com que ele se sinta um simples boneco, ele retira a faca do antebraço, cravando-a no peito do gigante por entre as peles fedidas. Com isso Jotun é solto, e salta para trás rolando e puxando seu machado da perna do inimigo.

Jotun tira um tempo, para limpar o sangue de sua boca, enquanto o Wyrm se levanta da neve e range os dentes como um animal raivoso. Jotun observa bem o palco da luta e um plano surge em sua mente. Rápidamente ele avança e o adversário ruge brandindo seu machado, quando muito próximo ao impacto dos machados Jotun cessa seu movimento e gira o corpo no mesmo sentido da lâmina, fazendo com que um rasgo apareça em suas costas, mas criando uma abertura para que sua lâmina encontre em cheio o crânio do gigante. O som do metal se partindo ecoa pelos ares e o gigante tomba em meio a um jato de sangue. O elmo voa longe, e os olhos do gigante continuam os mesmos, mas seu corpo não se move mais. Jotun olha para seu machado, agora com a lâmina despedaçada. Com um ar de raivoso ele mostra os dentes para o cadáver do gigante, à moda de um felino que reforça sua superioridade e joga o que sobrou de sua arma em cima dele.

Sem muito o que fazer ele sente as costas em chamas. O sangue escorre em rios. Para evitar o pior, ele deixa-se cair de costas na neve, e adormece, com esperanças de não acordar em Yusengard, a terra dos Deuses. Ao ir se deixando levar pela cantiga das montanhas, ele pensa - Maldito Templo de Gelo, que fica nestes confins do reino de Wyrm, quando eu chegar até lá, alguém pagara pelo que tive de passar.

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Devir

Devir é um conceito filosófico que qualifica a mudança constante, a perenidade de algo ou alguém. O devir é exemplificado pelas águas de um rio, que continua o mesmo, a despeito de suas águas continuamente mudarem.

Devaneio

Enredo fantasioso criado pela imaginação durante o estado da vigília física ordinária da consciência humana.