Recados
A idéia surgiu a partir do blog de um amigo, o qual cedeu espaço para que várias pessoas colaborassem com seus contos. E ao decorrer do tempo, muitas novas pessoas vieram, e a minha quantidade de contos foram aumentando, com isso surgiu em mim a vontade de postar meus contos em um espaço pessoal.
Devido à natureza de meus relatos, vou aos poucos relembrando o que tentei esquecer. As datas corretas me falham, porém a sequência ainda é clara, e tenho um vago sentimento de distância entre os acontecimentos. Me recordo agora que a terceira experiência de nada tem de assustadora, pelo contrário, estava me sentindo bem a vontade, e o lugar era acolhedor. Por estes motivos, decidi por documentar dois relatos em conjunto. O quarto sim, possui um que de perturbador e insólito.
Existe algo que preciso documentar em adendo. A medida em que estou documentando minhas experiências, em busca de controlar os próximos eventos, estou tendo alguns resultados. Não exactamente como previsto. Na verdade o previsto é incerto desde o início de seu planejamento, contudo minhas experiência têm se intensificado, com um aumento significativo de minha lucidez, e coragem perante as diversas situações, as quais não convém comentar, pois se estes documentos algum dia forem descobertos, serão altamente questionáveis. Com a complementação de novas experiências derivadas de meu procedimento de documentação, estes documentos estarão com sua credibilidade deveras comprometida, muito mais do até a presente leitura.
Uma vez que não se tratam de ficções, poderá ser de estranheza a quem leia o próximo parágrafo, esperando algo que o amedronte ou lhe cause certo receito. Reafirmo aqui, que estas documentações são derivadas de experiências reais, e se os faço, são por pura necessidade, que um dia talvez eu possa colher algum fruto deste trabalho. Não menos importante é o terceiro relato, pois conecta todos os outros em uma teia que aos poucos vai me elucidando sobre o que o futuro me reserva.
Não se passou um ano desde o segundo evento, me recordo que era uma época em que eu estava buscando outros conhecimentos além do estudo corrente. Posso considerar que esta foi a época em que olhei pelo vidro da janela, de dento do baile e vi um rosto que me parecia familiar mas não o reconhecia.
Uma certa noite, quando me deito bem relaxado, tenho a sensação de acordar ainda em meu leito, aos poucos vou notando que o ambiente é outro. Estou ainda em um leito, porém ele é totalmente branco, e o colchão é algo como uma almofada, peça única e bem confortável, logo noto que não apenas o leito, mas todo o ambiente é branco, com móveis formando geometrias perfeitas. Ao me levantar, uma porta que está ao lado se abre, do outro lado posso ver que uma figura bem alta me espera. Posso ver que do lado de fora é tal qual do lado de dentro. O tal ser me espera do lado de fora. Não entendo por que, mas não consigo vê-lo nitidamente, minha visão sobre está embaçada, apesar de enxergar todo o ambiente com clareza e detalhes. Gentilmente, com um aceno de braço, ele me convida a sair do recinto. Neste momento estou sereno, e não pressinto qualquer tipo de perigo ou ameaça. Sem motivos para temer o anfitrião, simplesmente saio do quarto.
Logo vejo o que julgo ser uma sala, igualmente branca, deve possuir o dobro de área que o recinto anterior, vejo que existe uma outra sala em anexo. Meu anfitrião me guia por dentro desta casa, e de alguma forma posso entender o que ele me diz, aos poucos, à medida em que caminhamos e conversamos, minha visão sobre ele vai se tornando cada vez menos turva. Noto que ele traja uma roupa de peça única, a qual se adapta perfeitamente ao seu corpo longo e retlíneo, em pouco tempo posso ver seu rosto com clareza. Sua pele é de um tom cinza azulado, e relembrando melhor neste momento, seu semblante se assemelha à um homem que houvesse evoluído de um réptil, tal qual nossa raça evoluiu de um símio. Sua pele não possui escamas, tão pouco erupções ou protuberâncias. Com calma serena, ele me guia até outro recinto em que tenho uma surpresa.
Adentro em uma sala que possui alguns assentos confortáveis, e se passa algum tipo de reunião, aonde outros como ele estão presentes, e me esperam para confabular sobre algo. Ao se virarem em minha direcção, noto que entre eles está alguém conhecido. Minha mãe. O que minha mãe tem de relação em todas estas minhas experiências. Uma mulher que passou por muitas desavenças em vida, e que houve de enfrentar diversas situações surreais. Provavelmente meu psicológico deve projectar a imagem de minha mãe, sinonimo de segurança, em todos estes acontecimentos, porém, acredito haver algo além disto, algo que logo descobrirei do que se trata.
Tão logo me deparo com este grupo, meu sonho termina, e percebo que estava sonhando. Novamente me vem todos os questionamentos, lembranças, sentimentos e sensações característicos dessas experiências. Levo algumas semanas para digerir por completo o ocorrido. Não obstante, sou acometido à outra experiência. Quando imaginava ter a situação sob controle, quando imaginava que não mais seria tomado por sensações negativas, sou trazido de volta à realidade.
O decorrer de tempo exacto não me recordo, porém tenho certeza absoluta de que o quarto evento se passa poucos dias após eu ter parado de pensar no terceiro evento. Uma noite em que me deito com muitas preocupações em mente. Muitas dificuldade se apresentavam em minha vida, e buscava, assim como em outras noites, soluções e saídas para não sucumbir ao desespero. Em toda minha, se havia algo de religioso em mim sempre foi tentar seguir os dez mandamentos, entre eles um em destaque. Honrar pai e mãe. A simples menção de tais palavras fazem com que meu peito se encha de sentimentos de ternura e angústia, pois para que eu viva, não preciso de muito, contanto que haja aonde me deitar, haja o que comer e eu tenha condições de trabalhar, me darei por satisfeito. Contudo, saber que minha mãe compartilhava de tal situação comigo me corroía por dentro. Qualquer sacrifício é pequeno se eu puder melhor a vida de minha mãe. Meu sentimento é recíproco em relação ao meu pai, mas como ele já não estava mais entre nós, toda a minha atenção se voltará para aquela que meu deu a maior de todas as oportunidades, a vida.
Com todas estas questões em mente, me deito, e sonho, novamente, sem saber que é um sonho. Logo me vejo em um recinto que não é meu lar. Iluminado apenas pela lua, sei que este não será um lugar agradável. Tão logo me dou conta de minha condição, percebo que sair dela dependerá de mim. Presto atenção ao meu redor e vejo um lugar cercado por muros, em que cerca de dois terços ambiente está coberto por um telhado. Tenho a impressão de que o lugar é a parte de dentro de alguma residência, tal qual um jardim de inverno, mas de grandes proporções. Pois bem, uma vez ali, me coloco a investigar o local.
Me dirijo em direcção à cobertura de telhado. Nela existem várias redes com pessoas deitadas. Estas redes são objectos usados para repouso em determinadas culturas. Julgo estranho, pois havia se passado longos anos desde que virá uma rede de descanso. De acordo com o contexto, vejo que estão dormindo. Sem entender o porque estou ali, começo a caminhar por entre as pessoas em repouso, em direcção ao ponto em que o telhado cessa. Não deveria, mas me surpreendo novamente quando chegou ao final do período coberto.
Deitada em uma rede que não está sob o telhado, está minha mãe, catatonica, paralisada. Começo a me desesperar e tentar reanimá-lá, sem sucesso, não desisto. Quando fito seu rosto, noto um olhar de desespero e vazio imenso. Como se sua alma houvesse sido arrancada a força. Não entendo, e olhar para seu rosto vai me causando cada vez mais medo e desespero. Então quando fico em silêncio olhando para ela, ouço o silêncio da noite, e percebo que em realidade, seu olhar está fixo em um ponto, atrás de mim, e acima…
A sensação de frio e um calafrio percorrem todo o meu corpo, sinto como se estivesse ficando completamente dormente. Está atrás de mim. Devo olhar? Não consigo. O terror é tão intenso que apenas espero que aquela situação, de alguma forma acabe, mas não acaba, a tensão aumenta a cada segundo. Como vou me virar para olhar algo que meu corpo não permite?
Aquele era o momento, eu sabia que não tinha mais como impedir que aquilo fosse acontecer. Então, buscando forças do mais íntimo do meu ser, vou me virando lentamente. Me viro e me posiciono na direcção em que os olhos de minha mãe apontam. Estou de olho fechado, e como quem tentar manter o equilíbrio entre a sanidade e a loucura, abro meus olhos. Sinto um arrepio tão forte em meu corpo que ele estremece por completo, a sensação de morte está em mim. Em cima do telhado está um ser que não pode pertencer a este planeta, ele está deitado no telhado, e posso ver suas mãos segurando na borda e seu rosto nos fitando vorazmente. Sem reação fico perplexo observando e esperando a conclusão desta experiência insólita.
Ainda atordoado, com a sensação de que minha consciência está a se desprender de meu corpo. Luto comigo mesmo para manter a sanidade e consciência. E ali está, aquele ser me olhando fixamente, mas por mais estranho que possa parecer ele não toma ação alguma. Como isso, vou me acostumando à situação. Então que, do ser, começo a ouvir sons. Me parece que ele está tentando se comunicar comigo. Não consigo descrever como eram estes sons. De alguma forma, o seguinte me vem a mente para tentar explicá-los: Imagine como se pudesse ouvir o som que ondas electromagnéticas fazem ao se propagarem pelo meio etéreo. Era isto que eu sentia, e não conseguia entender o que ele tentava me falar. Eis que tomo uma ação que surpreende até a mim mesmo.
Tomado por uma alteração de sentimentos e sensações, impulsionado pelo clímax da situação, não estou disposto a perder esta oportunidade, aconteça o que acontecer, minha ação poderá me custar algo precioso, mas tentarei. Olho ao redor e busco uma cadeira. Levo-a até o local aonde eu estava e subo na mesma. agora estou frente a frente com o ser. Receoso ao extremo, começo a erguer minha mão lentamente. Tremula, vou levando-a em direcção à face daquele que está a minha frente. Em relances onde meu corpo retrai a mão, mas minha vontade a impulsiona para frente, consigo enfim meu objectivo, toco a testa dele.
Neste momento, toda ansiedade, medo, temeridade e aflição passam, sinto e ouço perfeitamente o que ele tem a me dizer. Meu ser se acalma por completo, sinto como se estivesse entrando em sintonia com ele. Tento falar com ele, mas não consigo, sinto que se falasse, ele não ouviria. Então pouco a pouco me aproximo mais dele, posso ver em detalhes todos os aspectos físicos de seu rosto, desde seus olhos até a textura de sua pele. Não tenho mais medo. Encosto minha testa contra a dele, e enfim, conversamos plenamente.
Acordo. Desnecessário dizer o quanto esta experiência me forneceu de material para refletir e tentar entender. Posso lembrar destes detalhes, e isto tudo tem um significado que hei de encontrar.
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Este relato me perturba de verdade, relembrá-lo é difícil e desperta uma tristeza imensa em mim por revelar o quão covarde sou, por isso deixei que vários anos se passassem na esperança de esquecê-lo, mas, uma vez que me dispus a documentar meus sonhos percebo que ele continua vívido em minha lembrança, como se de fato tivesse passado pela experiência. Como eu queria que fosse o último…
Estaria mentindo se não revelasse o medo que… Não, o correto é pavor. O pavor que estes relatos me causam, pois tenho a sensação de que é o prenúncio para algo tenebroso e surreal. Tenho incrível medo do que o futuro me reserva, e a cada novo dia, estou mais próximo deste evento.
O medo humano é provocado pela falta de conhecimento, aliado a imaginação e dogmas pessoais. O pavor surge da negação de um evento inevitável do qual temos o mínimo de controle e conhecimento possível, eis daí que surgem os traumas. Pessoas que passaram por situações de terror ou pavor criam bloqueios para evitarem ao máximo ou surtarem diante de algo que incite seu trauma, uma forma de fuga e negação mental ao extremo, deixando com que o eu instintivo assuma o controle, adormecendo o eu racional e o eu sensível.
Pois bem, o estado descrito anteriormente é bem aproximado de como me encontro no começo do sonho. Sinto toda a angustia e desespero de ter as pessoas pelas quais tenho mais apreço em perigo real de morte. A situação é desesperadora, estou junto à minha mãe, esposa, irmão, irmã e alguns amigos. O local é uma cidade a qual não conheço, estamos na rua e corremos por nossas vidas. Quando olho melhor ao redor, a cidade está destruída, como se uma bomba houvesse devastado-a. Está de noite e estou correndo desesperadamente com tanto medo que só penso em me salvar, mal consigo desviar minha atenção para conferir se minha mãe e esposa ainda me acompanham. Maldição, o desespero vai crescendo, a angústia aumentando, e nem sei o que está nos perseguindo! Tento olhar para trás, mas não consigo! O pavor é tão grande e sei que estão lá, se eu olhar os verei!
Depois de pouco tempo fugindo, todos nós entramos em uma construção destruída, uma parte do telhado está ruído, e posso ver as estrelas. Ao entrarmos correndo no local, me apresso e fecho uma pesada porta de ferro com a ajuda de alguém. Por alguns segundos o sentimento de morte eminente passa. As mulheres começam a chorar copiosamente, os outros estão desolados e destruídos mentalmente.
Lembro-me de estar junto à porta tentando manter a sanidade, pensando quando e como isso irá terminar, pensando que isso não pode ser real, desejando que fosse um sonho e que eu pudesse acordar, mas não era, e eu não acordava, por quê? Como isso foi acontecer? Mas que droga, vou perder todos aqueles que gosto, e o pior, se eles sobreviverem sem mim? Não minha mãe e minha esposa. A maior dor do mundo senti nesse momento, e percebi o quanto essas duas pessoas são importantes pra mim. A simples idéia de que eu iria morrer, as deixando sozinhas naquele inferno me corroia como um ferro em brasas perfurando meu peito, que se me oferecessem esse castigo pela salvação das duas, aceitaria em resignação e não reclamaria uma única vez.
Porém, por mais que desejasse, essa realidade esta ali, sendo vivida, experimentada e sentida cada segundo. Não obstante percebo que um dos meus amigos, cujo conheço desde tenra adolescência e que a alguns anos havíamos nos desentendido, está mais inquieto do que os outros, e tão logo presto atenção em sua figura, percebo que sua pessoa está metamorfoseada em algo medonho, um misto de réptil com homem, tornando-o um reptiliano. Noto então que desde o começo ele já estava assim. O que diabos aconteceu com este homem…
Mal tenho tempo de reparar nas pessoas que ainda estão comigo quando escuto sons vindos de fora. Maldição, já? O que devo fazer? Não temos para onde ir, estamos trancados, é o fim! Apavorado vejo que a porta tem uma pequena janela de vidro sujo e embaçado. Respiro fundo e tomo toda coragem que me resta para olhar pela janela, preciso ter certeza do que está lá fora. Quando olho… Um susto como nunca levei antes, o pavor! Sim, eu vi! Seres tão medonhos e horríveis como minha mente jamais conceberia! Esqueléticos, pele cinza, corcundas, olhos de demônios e faces de criaturas que respiram o puro mal. Existem sim, estão ali, se comprazendo em um idioma de estalar e grunhidos, inquietos, mal podem esperar por nos alcançar. Cerca de dez estão do lado de fora grunhindo e forçando a entrada, a expressão em suas faces é idêntica, um misto de sadismo e sanguinolência.
As pessoas dentro da construção são tomadas pelo desespero final, todos se contorcem em pavor e pânico, não existe mais o que fazer a não ser esperar por um fim rápido e indolor. E eu, o que farei? Estou mortalmente dividido entre o medo de ver aquelas que amo sendo torturadas ou o medo de me ver sendo torturado. O pânico e pavor vão tomando cada vez mais conta de mim quando a loucura me domina, sem pensar ou me preocupar com os outros, eu abro a porta e avanço sobre os monstros, acerto um com um soco e uma cotovelada em outro, mas posso sentir sua pele fria como de um ser vindo das profundezas mais gélidas da terra, e vários braços logo me imobilizam e sinto o desespero final da morte. Acordo...
Sentindo ainda o pânico da morte e o pior dos seres humanos, por ter visto que em uma situação crítica fui egoísta e covarde, pensando apenas em terminar tudo. Deixei as duas lá… E até hoje tenho medo de me imaginar nessa situação novamente, e de saber o que eu faria de novo…
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Ainda me lembro perfeitamente do sonho que tive ontem à noite, e talvez de tão intrigante que tenha sido, decidi por criar estes relatos, apesar de ser arriscado, preciso fazê-lo, a série de eventos que me ocorreram não podem ser mera coincidência, então sinto a necessidade de documentar o acontecido, mas bem sei que posso ser tido como louco pelo simples fato de mencionar tais assuntos, mas se algum dia estes escritos forem lidos por olhos desavisados, devo alertá-lo de que o conteúdo das próximas linhas é tão real quanto como qualquer experiência vivenciada diariamente, afinal, o que define o real? Para termos uma experiência real precisamos dos seguintes elementos: Emoções e sensações. Se todos os sentidos foram satisfeitos e houve uma carga emocional de qualquer grandeza, então a experiência foi real, independente de qual realidade ela tenha pertencido.
Normalmente apenas nos recordamos de nossos sonhos por poucos segundos depois de acordarmos, mas tenho a impressão de que este eu jamais esquecerei, tal quais aqueles outros sonhos que tive quando mais novo, estranhamente eles também me pareceram reais, o que não descarta a possibilidade de que realmente o seja, não nesta realidade.
Agora que decidi documentar estas experiências, estranhamente outros sonhos me vêm a mente, aparentemente desconexos ,mas que de alguma forma me parecem interligados. Por onde devo começar? Pelo que me lembro como o primeiro então:
Na unidade de medida temporal na qual os ocidentais e europeus acreditam baseado no calendário gregoriano denominada ‘ano’, foi a aproximadamente 11. Na ocasião eu era bem novo, e estava na residência de um estimado amigo, do qual ainda guardo imenso carinho. Estamos em seu jardim, de fronte à sua casa, é dia e várias outras pessoas confraternizam. O clima é de festividade e descontração, este ambiente me é muito familiar, e realmente me sinto bem à vontade e relaxado. Mas em um dado momento, as pessoas começam a gritar, sem entender, fico parado em meio ao jardim os vendo correr com desespero. Enquanto tento me abster do pânico e prestar atenção ao meu redor, percebo que uma imensa sombra vem pelo chão até me cobrir por inteiro. Com os braços semi-abertos, fito-me dos pés às mãos, para então perceber que a origem da sombra paira sobre mim. Não posso acreditar no que vejo. Algo que julgo ser uma nave está parada a cerca de dez metros acima de mim. Apesar de seu tamanho se equiparar ao da casa, não se pode ouvir um único ruído vindo da mesma. Seu metal fosco não reflete o que está ao seu redor. Tomado pelo medo e admiração, tombo sentado na grama, apoiando minhas mãos no chão. Não consigo tomar outra ação além de observar fixamente a nave tão admirável e aterradora, imaginando o que virá a seguir de uma situação tão surreal. Eis que escuto uma voz em minha mente, tão nítida como se houvesse alguém de pé frente a mim as proferindo. A voz masculina diz: “Não adianta se esconder, nós vamos nos encontrar“. E acordo… Fico sentado em meu leito por o que julgo serem algumas horas, relembrando todos os fatos e sensações. Não consigo me conformar, pois para mim, aquilo foi tão real como dialogar com meus consangüíneos. “Mas foi um sonho, eu estava deitado oras! E acordei de um sonho realístico“. Foi isto o que repeti para mim durante muito tempo, até que…
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