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Recados

Sejam bem vindos ao blog, por favor sintam-se a vontade para expor suas opiniões e críticas.

A idéia surgiu a partir do blog de um amigo, o qual cedeu espaço para que várias pessoas colaborassem com seus contos. E ao decorrer do tempo, muitas novas pessoas vieram, e a minha quantidade de contos foram aumentando, com isso surgiu em mim a vontade de postar meus contos em um espaço pessoal.
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"Que belo", essa havia sido a frase que Acácio mais ouvira desde sua infância. Eis que para ele tornou-se um mantra e uma verdade. Sempre que passava por um espelho não perdia a chance de admirar a figurar e recitar "Adonai, adonai. Tu és tão belo por fora quanto por dentro." E com atitudes supostamente altruísticas, punha-se sempre em condições de prestar um auxílio, uma palavra, dar um pouco de sua sabedoria a outros.

No seu dia-a-dia, cumpria com seus afazeres na medida do possível, sempre empregava sem tempo em atividades que ressaltem sua beleza física, e distribui lições de cima de seu pedestal. Por isso sente-se tão bem, tão capaz, tão superior.

Certo dia enquanto Acácio caminhava pelas ruas, um senhor se pôs a observá-lo atentamente, e percebeu que o jovem mirava os espelhos no caminho sempre que possível, sorria de volta para si mesmo e prosseguia como se caminhasse por cima das águas, acima de qualquer problema. Seguindo o jovem, ele o viu dando um agasalho para um garoto, e dando dinheiro a uma senhora. A expressão de satisfação era vívida no rosto de Acácio, ele esperava cada agradecimento, cada elogio. O senhor então se aproximou.

"Ora, vejam só que rapaz tão belo e bondoso, algo tão raro nos dias de hoje." Acácio então se vira com imensa felicidade para descobrir seu interlocutor, com um sorriso ele estende a mão para um aperto. "Senhor, não cumpro com mais do que a minha obrigação, pois aquele que tem, deve dar." O Senhor levou seu chapéu à cabeça, e com um tom de firmeza proferiu. "E tens razão meu jovem, isto não passa de um movimento obrigatório, o que difere em muito de um ato de colaboração, pois neste último existe o afeto, o qual deve ser prescindido por uma inefável sabedoria, advinda do profundo saber das causas e efeitos dos atos. Agora diga-me, a que levam estes teus atos que acabastes de realizar?". Ainda com um sorriso no rosto, o senhor aguarda a resposta de Acácio, este que por sua vez retrai instantaneamente sua satisfação, e tentando pensar no que o senhor lhe disse, ainda que confuso, defende-se em frente a todos. "Meu senhor! Eu estou dando de comer a quem tem fome, e vestindo a quem tem frio! O bem estar de cada um é o objetivo de minhas ações." E com o ar de ofendido, Acácio tira o pó de sua roupa e começa afastar-se. O senhor, inabalável exemplifica com a mão. "Percebes agora? Que algo feito sem ter sido pensado, entendido e sem objetivo transcendente, não tem valor real? As suas ações não passam de alimento para as suas deficiências, você faz isto por si de forma egoística e não por eles, faz para que o vejam como belo e bondoso, quando na realidade não passas de um joguete destes pensamentos vaidosos, orgulhos e soberbos." Acácio continuava a se afastar, porém ainda olhando para o senhor, e por isso ainda deu tempo de perceber que ele apontou para a vidraça de um prédio, e com a voz já distante disse. "Olhe mais uma vez para si mesmo." Acácio não podia acreditar no que via, o ser belo e resplandecente, agora deu lugar a alguém esguio, mal vestido e pálido. Uma terrível aparência.

Se aproximando do espelho, ele o toca incrédulo, e caindo de joelhos com lágrimas nos olhos, ele questiona. "Como pode? Como pode? Todo esse tempo. Eu nunca fui quem pensava ser... Por que teve que ser outro quem me apresentou a mim mesmo?" Com as lagrimas escorrendo pelo rosto, ele abaixa a cabeça em vergonha, e com a face quase colada ao chão ele promete a si mesmo. "Não serei mais eu quem passará fome e andará maltrapilho, darei a mim mesmo o pão e as vestes reais do saber, o conhecimento de mim mesmo!"

Ao longe, o senhor sorri, pois ali vê um jovem que poderá cultivar dentro de si as verdadeiras virtudes que eram simuladas pelas mais mal intencionadas das deficiências.



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Devir

Devir é um conceito filosófico que qualifica a mudança constante, a perenidade de algo ou alguém. O devir é exemplificado pelas águas de um rio, que continua o mesmo, a despeito de suas águas continuamente mudarem.

Devaneio

Enredo fantasioso criado pela imaginação durante o estado da vigília física ordinária da consciência humana.